Como a evolução da cirurgia robótica e inteligência artificial vêm ampliando as possibilidades de tratamento com incisões mínimas, segurança e precisão na cirurgia plástica.
Em um cenário de rápida evolução tecnológica, o Dr. Orlando Ferrari (CRM 152.895 | RQE 74.465) constrói sua trajetória integrando formação acadêmica sólida e incorporação criteriosa de inovação. Com formação pela USP, onde percorreu desde as residências em cirurgia geral e plástica, até o fellowship em reconstrução mamária, segue atualmente na pós-graduação na área de cirurgia robótica, é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), do Colégio Brasileiro dos Cirurgiões (CBC), da americana ASPS, e sua prática disruptiva é marcada pela transição da cirurgia convencional para abordagens minimamente invasivas. Nesse contexto, a aplicação de plataformas como Da Vinci e Versius tem permitido avanços técnicos relevantes na cirurgia geral e plástica, sendo um dos médicos a introduzir e desenvolver no Brasil esta tecnologia na cirurgia plástica através de pesquisas científicas, autoria de capítulos de livro, além de projetos acadêmicos que visam o ensino das próximas gerações.

Partindo do contexto histórico, a jornada da cirurgia robótica não começou em salas de operação convencionais. Iniciou nos laboratórios da NASA e do DARPA, onde a necessidade de realizar procedimentos médicos em ambientes remotos ou campos de batalha impulsionou a criação de sistemas teleoperados. O marco definitivo ocorreu em 2001, com a histórica Operação Lindbergh, a primeira cirurgia transatlântica realizada entre Nova York e Estrasburgo. No Brasil, essa revolução aportou em 2008, com os primeiros procedimentos robóticos em solo nacional. Hoje, vivemos a “Terceira Onda” da cirurgia, onde a tecnologia não é apenas uma ferramenta, mas uma extensão da inteligência e habilidade do cirurgião.
A técnica r-MILA (Robotic-assisted Minimally Invasive Lipoabdominoplasty) representa uma abordagem inovadora em contorno corporal, incluindo o Mommy Makeover, após as gestações. Diferentemente da abdominoplastia clássica, na r-MILA o Dr. Orlando, que também é cirurgião geral, utiliza a plataforma robótica para tratar a diástase dos músculos retos abdominais e hérnia umbilical através de incisões mínimas, associando uma lipoaspiração de alta definição (LipoHD Total Definer) e tecnologias para auxiliar na retração de pele e melhora da flacidez. Com isso, pode haver uma recuperação mais tranquila, menos dolorosa, um retorno rápido ao trabalho e atividades físicas, além de um resultado mais natural e sem a cicatriz ao redor do umbigo nem a cicatriz horizontal extensa, estigmas da técnica convencional, porém sempre dentro de uma indicação individualizada.

O Dr. Orlando Ferrari participou de um marco relevante no desenvolvimento da cirurgia plástica robótica, com a condução de estudos que proporcionaram a validação da plataforma inglesa Versius (CMR Surgical) nesta especialidade. Por meio de protocolos estruturados na Faculdade de Medicina da USP, foram desenvolvidas as técnicas para reconstrução mamária com o retalho do músculo grande dorsal especificamente com esta plataforma modular, inicialmente em modelos tridimensionais sintéticos e, posteriormente, com estudos em cadáveres. Esta pesquisa poderá proporcionar uma cirurgia com menos dor no pós-operatório e sem o incômodo de uma cicatriz muito longa e visível da técnica clássica, até as costas, podendo ajudar mulheres que enfrentam o câncer de mama através da ampliação do acesso à robótica com mais uma plataforma testada e disponível. Trata-se de uma linha de pesquisa com potencial para ampliar as opções reparadoras, buscando reduzir o impacto cirúrgico e aprimorar a experiência das pacientes ao longo do tratamento, especialmente em um contexto sensível como o câncer de mama. Os resultados iniciais desse trabalho foram reconhecidos em eventos científicos internacionais, contribuindo para a inserção do Brasil no cenário de desenvolvimento da cirurgia robótica aplicada à cirurgia plástica.
Embora a r-MILA e a LipoHD se destaquem no contorno corporal, a atuação do Dr. Orlando Ferrari abrange também áreas de elevada complexidade técnica, especialmente no campo reparador. É referência em Reconstrução Mamária Oncológica, com utilização de transplantes microcirúrgicos em casos de tumores avançados, além de participação no desenvolvimento de abordagens em cirurgia mamária robótica no Brasil. Essas iniciativas vêm sendo conduzidas por meio de protocolos de pesquisa, com foco na avaliação de segurança, eficácia e padronização das técnicas, objetivando os requisitos regulatórios. Esta integração entre cirurgia plástica estética e reparadora reflete sua versatilidade e valoriza não apenas o resultado estético, mas também a função, segurança e o cuidado global com a saúde dos pacientes.

Para ele, o futuro da cirurgia repousa sobre três eixos fundamentais:
- Tecnologia: A integração de Inteligência Artificial, realidade aumentada e sistemas de fluorescência para guiarem o cirurgião em tempo real.
- Evidência científica: A produção constante de estudos rigorosos que avaliem os desfechos da robótica e demais tecnologias em ascensão.
- Formação: O desenvolvimento de currículos modulares e simulações avançadas para garantir que a próxima geração de cirurgiões atinja a proficiência com segurança.
Entrevista exclusiva
Escape Magazine: Dr. Orlando, por que a robótica pode ser um divisor de águas para a cirurgia plástica moderna?
Dr. Orlando Ferrari: Na cirurgia plástica, uma especialidade focada no detalhe, em cirurgias delicadas estéticas e reparadoras, que requerem grande refinamento técnico, existe espaço para uma perfeita simbiose com esta tecnologia, lidando assim com as estruturas de maneira mais suave. A robótica nos oferece uma visualização ampliada e tridimensional, com otimização do detalhamento anatômico, maior estabilidade e destreza com a eliminação de tremores e ganho na amplitude dos movimentos dos punhos, potencializando a precisão do cirurgião e a capacidade de preservação tecidual, atributos valiosos em cirurgia plástica.
EM: Qual o maior impacto da técnica r-MILA na vida dos seus pacientes?
Dr. Orlando Ferrari: O principal impacto está na possibilidade de tratar de forma mais completa e menos invasiva pacientes que antes eram submetidos a cirurgias extensas, com maior morbidade. A maioria dos casos inclui mulheres após as gestações ou homens após ganho de gordura visceral, que apresentam diástase, hérnias (como umbilical e inguinal) e flacidez de pele no abdome, que trabalham muito e buscam uma cirurgia mais leve, minimamente invasiva, com cicatrizes reduzidas, mantendo o cuidado com os filhos e sem afastamento no trabalho. Ao associar a reconstrução da parede abdominal com a tecnologia robótica, conseguimos reduzir o trauma cirúrgico, preservar melhor os tecidos e a circulação e, em muitos casos, proporcionar uma recuperação mais rápida e confortável, com menos dor no pós-operatório. Além do resultado estético, o que observamos é uma melhora funcional significativa, com estabilização da parede abdominal e restauração da função do core, promovendo melhora da postura e equilíbrio biomecânico do tronco, além da redução de sintomas como dor e abaulamento abdominal, dor lombar, e um retorno mais precoce às atividades, com melhora da qualidade de vida. Verificamos também uma elevação importante na autoestima, com o ganho no contorno corporal, associado à lipoescultura e aplicação de tecnologias para melhora da flacidez, e ainda sem trazer os estigmas do umbigo e extensa cicatriz horizontal da abdominoplastia clássica, possibilitando resultados mais naturais. Como toda cirurgia, trata-se de uma indicação individualizada, mas a técnica vem ampliando as possibilidades de tratamento com incisões mínimas, segurança e precisão na cirurgia plástica.
EM: Como foi o processo de validar a plataforma Versius em cirurgia plástica globalmente?
Dr. Orlando Ferrari: Trabalhamos em equipe na Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da USP, e a idéia da pesquisa era investigar se a modularidade e versatilidade do novo robô inglês Versius poderia ser aplicada à plástica com segurança e eficácia, além de criar um modelo de ensino de robótica para cirurgiões plásticos, que é minha tese atualmente. Criamos novos caminhos e descrevemos a técnica do retalho do músculo Grande Dorsal e sua utilização na reconstrução do câncer de mama com a nova plataforma, inicialmente em manequins sintéticos realísticos e após, em cadáveres, que agora servem de base para os cirurgiões plásticos internacionalmente nos próximos estudos clínicos, onde pretendemos beneficiar as pacientes que necessitam de uma reconstrução complexa para câncer de mama em estágios avançados, sem a cicatriz extensa, estigmatizante e dolorosa da técnica tradicional aberta. Após esta validação científica, nossa equipe iniciou também a utilização clínica deste robô, nos pacientes com diástase, hérnia umbilical e flacidez de pele, em nossos casos de r-MILA, trazendo ótima evolução e evidenciando a importância do meio acadêmico, da pesquisa e desenvolvimento para permitir a inovação com responsabilidade e trazermos as novidades em medicina, porém com ética e segurança.
EM: O senhor menciona a Inteligência Artificial como o próximo passo. Como ela ajudará o cirurgião?
Dr. Orlando Ferrari: A Inteligência Artificial (IA) atuará como um copiloto, ela tende a atuar como uma extensão da capacidade do cirurgião, principalmente em planejamento, tomada de decisão e aumento da segurança. No pré-operatório, ela pode auxiliar na análise de imagem, simulação de resultados e personalização do plano cirúrgico com base em dados anatômicos e funcionais de cada paciente. Durante o procedimento, a integração com plataformas robóticas pode permitir maior precisão, com sistemas capazes de analisar milhares de cirurgias em tempo real, reconhecer estruturas anatômicas, sugerir trajetórias mais seguras e até mesmo antecipar possíveis riscos em casos complexos. No pós-operatório, também pode contribuir no acompanhamento e na análise de desfechos, refinando continuamente as indicações e as técnicas. É importante ressaltar que a tecnologia não tende a substituir o cirurgião, mas potencializar sua capacidade de decisão, tornando o procedimento mais seguro, previsível e individualizado.
EM: Qual o conselho para quem busca excelência em procedimentos estéticos hoje?
Dr. Orlando Ferrari: O principal conselho é não buscar apenas pelo procedimento em si, ou clínica famosa e mídias sociais, mas sim o profissional e o planejamento por trás dele. Excelência em cirurgia plástica hoje está muito mais relacionada à indicação correta do procedimento, ao conhecimento da anatomia, limitações do paciente e à individualização do tratamento, do que a uma técnica isolada. Tecnologias modernas, incluindo robótica, laser, plasma, radiofrequência, IA e abordagens avançadas são ferramentas cada vez mais importantes, mas o diferencial está na formação e experiência do cirurgião, na capacidade de integrar essas ferramentas com segurança e em um plano que faça sentido para cada paciente, este é o estado da arte. Nossos pacientes por exemplo, passam com equipe multidisciplinar, que inclui nutricionista, fisioterapeuta e psicóloga, para otimizar o preparo antes da cirurgia, a segurança e os resultados, e após, consequentemente mantém uma mudança global no estilo de vida, naturalmente intensificando a dieta e atividades físicas, com melhora geral da saúde e bem-estar. Resultados realmente diferenciados atualmente são aqueles naturais, dinâmicos, funcionais e sustentáveis ao longo do tempo.
O Dr. Orlando Ferrari alia prática clínica, formação acadêmica e incorporação criteriosa de novas tecnologias, com foco em resultados seguros e individualizados. Sua atuação reflete uma visão contemporânea da cirurgia plástica, na qual inovação e experiência caminham juntas, sempre com respeito à anatomia, naturalidade e jornada de cada paciente. Em um cenário de constante avanço tecnológico e da IA, sua proposta é utilizar essas ferramentas para aprimorar o cuidado, sem perder o aspecto mais essencial da medicina: a relação humana.
Sua clínica fica localizada na Vila Nova Conceição – Itaim, em São Paulo, com o conceito boutique e é projetada para oferecer uma experiência de concierge medicine, um modelo de assistência centrado no paciente, que prioriza acompanhamento individualizado, continuidade do cuidado, permitindo mais tempo por consulta, planejamento detalhado e uma relação médico-paciente mais próxima. Para pacientes internacionais e de outros estados, a estrutura também oferece suporte completo e consultas via Telemedicina.




