Louis Vuitton Cruise 2027: obra “Brazil”, de Keith Haring, ilustra a icônica bolsa Alma

Para a coleção Cruise 2027, Nicolas Ghesquière, diretor artístico das linhas femininas da Louis Vuitton, aprofunda o diálogo entre moda, arte e cultura contemporânea ao trazer para suas criações uma seleção de obras de Keith Haring, em colaboração com a Keith Haring Foundation

O encontro entre a Louis Vuitton e Keith Haring nasceu da descoberta, nos arquivos da Maison, de uma mala em couro do início do século XX transformada pelo artista em uma tela literal. No desfile Cruise 2027, essa conexão ressurge em criações de Ready-to-Wear e acessórios. Dentro desse universo,  a obra Brazil (1989) é revisitada no icônico modelo de bolsa Alma. “Brazil” evoca uma experiência visual de intensidade, ritmo e expansão. A relação de Keith Haring com o país teve início em 1983, por ocasião da Bienal Internacional de Arte de São Paulo. O artista retornaria ao Brasil em outras ocasiões, especialmente à Bahia, onde passou temporadas entre 1984 e 1986, em contato com artistas, paisagens e uma atmosfera cultural que o impactou profundamente.

Um dos ícones em Monograma, lançada em 1992, a Alma se afirma como uma das expressões mais puras do estilo parisiense da Louis Vuitton: Discreta, arquitetônica e eternamente elegante. Suas linhas remontam à bolsa Squire, originalmente criada em 1934, e posteriormente reinterpretada por meio de modelos como Champs-Élysées e Marceau. Quando finalmente assumiu sua forma e nome definitivos, inspirados na Place de l’Alma, onde a grandiosidade do 8º arrondissement de Paris encontra o movimento fluido do rio Sena, a Alma tornou-se um símbolo da modernidade refinada da cidade.

As linhas marcantes e arquitetônicas da Squire e, posteriormente, da Alma, encontram inspiração no movimento Art Déco, refletindo a precisão geométrica e a pureza decorativa que definiram o design dos anos 1930. Seu fechamento com zíper, alças Toron arredondadas e a base curva expressam um equilíbrio raro entre engenharia e elegância, uma forma que permanece tão contemporânea quanto no momento em que foi concebida. Ao longo das décadas, a Alma tornou-se simultaneamente ícone e fonte de inspiração. Artistas e designers traduziram sua forma atemporal em declarações de arte contemporânea, da edição reflexiva Miroir, de Sylvie Fleury, à coleção Masters de Jeff Koons, que fundiu o Monograma a obras-primas de Leonardo da Vinci e Claude Monet, passando pelas releituras visionárias de Nicolas Ghesquière, que combinam o savoir-faire da alta-costura com o minimalismo moderno. Cada versão reafirma o equilíbrio da bolsa entre disciplina e desejo, inovação e elegância. Assim como Paris, a Alma perdura como um estudo de proporção e presença: clássica e eternamente atual, com uma confiança silenciosa tão atemporal quanto o Monograma que a adorna.

Para a coleção Cruise 2027, a Alma faz parte da linha Unfinished, da colaboração entre Louis Vuitton e Keith Haring.

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