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Uma viagem para o deserto vivo: Namíbia

Por Maria Alice Cavalcanti

A viagem para o deserto no continente Africano é uma descoberta que surpreende os viajantes mais exigentes. Um país com cenários belíssimos e uma vida animal adaptada ao extremo. São 2.550 milhões de habitantes em 825.815 km2 e tem 30% das suas áreas protegidas. Um destino que pode ser visitado durante todo o ano com poucas mudanças sazonais, a Namíbia é o país mais árido ao sul do Saara e abriga o deserto mais antigo do mundo – o Namibe. Surpreendentemente, com uma vida animal e vegetação que aprendeu a sobreviver no deserto ao longo dos tempos. São quilômetros e quilômetros de terras inexploradas, majestosas e intocadas que se estendem em todas as direções. A pouca poluição luminosa permite enxergar quilômetros durante o dia e abrir-se para céus noturnos extraordinários que possibilitam o melhor em observação de estrelas.

O ponto de entrada é a capital do país, a cidade de Windhoek, que ainda guarda os traços da colonização alemã do início do século 19 e da presença dos britânicos e dos sul-africanos, que ocuparam a Namíbia até a sua independência, em março de 1990. Faz divisa com Botsuana e Angola e conta com uma área de conservação que abriga diversos circuitos turísticos, como as dunas de areia de Sossusvlei, o litoral com oceano Atlântico, achados arqueológicos de cerca de 200 mil anos, tribo nômade mais antiga do mundo, entre tantas outras surpresas. Como um dos desertos mais antigos da Terra, a Namíbia possui uma extraordinária adaptação da vida selvagem que aprendeu a prosperar na área: Orix, Springbok (cabra-de-leque), raposas, hienas, avestruzes, lobos-do-mato, chacais de costas negras, pássaros e lagartos. Também podemos encontrar leões e leopardos, famílias de zebras e as elegantes girafas. Mas tudo em menor proporção do que em safaris como os de Botswana, Ruanda e Zimbabwe, onde existe abundância de vida selvagem, um ambiente que favorece a sobrevivência desses animais.

Wilderness Little Kulala é o único com acesso privado ao parque de Sossusvlei e isso garante total exclusividade durante as primeiras horas do dia. Essa é uma de suas muitas aventuras exclusivas – como passeios guiados pelo entorno natural, andar de quadriciclo, fatbike elétrica, trilhas naturais e para os que gostam de balão é possível nessa região do país. Erguido numa propriedade de 37 mil hectares o Wilderness Little Kulala está na beira do leito seco do Rio Auab, conta com 08 tendas com design elegante que valoriza os tons pastéis e terrosos, são climatizadas e todas com piscina privativa onde também pode ser montada uma skybed para admirar o famoso céu da Namíbia, lotado de estrelas, um verdadeiro privilégio. O silêncio, vale ressaltar, é uma das sensações mais poderosas quando estamos imersos e seguros em meio a natureza e toda a sua fortaleza.

Na manhã do primeiro dia de viagem, logo antes do nascer do sol, vamos para o destaque dessa região, a visita às dunas mais antigas do mundo. Sossusvlei é o resultado de uma série de fascinantes eventos geológicos. O fluxo do efêmero rio Tsauchab, agora bloqueado por uma massa de areia, é ladeado por algumas das dunas mais altas do mundo. Caminhar por elas, ser os primeiros e únicos a vivenciar o nascer do sol do alto do Big Daddy, é desses momentos ímpares que muda de certa maneira a perspectiva que cada um tem das coisas. Descer a duna descalço, sentir a textura e temperatura da areia para encontrar o Deadvlei, uma grande “bacia de argila branca” com esqueletos de árvores de camel thorn – formados devido à súbita mudança do clima há mais de 1.000 anos – agora é o paraíso de qualquer fotógrafo.

Depois de conhecer a parte sul do país seguimos para a Costa dos Esqueletos, mais conhecida como Skeleton Coast. Um vôo de aproximadamente 01 hora com cenas lindíssimas, uma costa do Atlântico nebulosa e dramática. Sobrevoo na Namíbia é um presente para os amantes de imagens impactantes e perfeitas. A Wilderness tem sua própria cia aérea e serviço nos aeroportos, coordenando toda a logística pelo país. Uma operação impressionante e orquestrada onde tudo acontece com maestria.

Foto: Dana Allen

O Wilderness Hoanib Skeleton Coast está incrustado no Deserto de Kaokoveld, numa faixa de terra de imagens cinematográficas. Os viajantes têm à disposição oito grandes tendas, bem como o lounge principal e uma piscina com vista para o vale, ideal para amenizar as altas temperaturas durante o dia. Ao desbravar os arredores, uma das maiores curiosidades é conhecer o cemitério dos navios encalhados na Costa dos Esqueletos, no Oceano Atlântico, onde milhares de naufrágios aconteceram, a duas horas de carro do Lodge. Outra atração é passear a pé entre as colônias dos dóceis e curiosos leões-marinhos, muitos deles filhotes com poucos meses de idade. Um dos luxos do dia é ter uma mesa de almoço montada à beira do mar só para você e em meio a força poderosa do Oceano Atlântico. E mais tarde retornar ao Wilderness Hoanib Skeleton Coast de avião, poder presenciar o pôr do sol do alto depois de ter visto tudo por terra. Nessa região também é possível encontrar elefantes, capazes de ficar dias sem água, que passam por nós desfilando em pequenos grupos. 

A nossa última parada foi bem ao norte da Namíbia, divisa com Angola e às margens do Rio Kunene, onde nos deparamos com o lindíssimo e recém-inaugurado Wilderness Serra Cafema.

Um Lodge de estrutura suspensa, design elegante, com tudo planejado para receber seus hóspedes que chegam de todas as partes do mundo. São 8 espaçosas suítes, muito bem decoradas, construídas sobre plataformas elevadas à beira do Rio Kunene, dono de águas caudalosas, que abrigam um número expressivo de crocodilos. Serra Cafema é um oásis no deserto, um lugar com pequenas áreas verdes, água, rochas imensas e a presença da tribo nômade mais antiga do mundo: os Himbas.

Ao chegar nos deparamos com construções simples, porém de técnicas avançadas que protegem seus moradores do calor do dia, frio da noite, vento e qualquer adversidade. Encontramos as mulheres e crianças, todos com tom ocre, pois usam uma pasta composta de pó de minério de ferro com gordura animal, para proteger o corpo e os cabelos do sol forte e dos insetos. O guia da Wilderness nos orienta sobre como nos aproximar e interagir, sempre com muito respeito e ao lado de um tradutor que fala a língua deles.

A organização social dos Himbas permite a poligamia. Então, os homens tentam ter o máximo de esposas para poder formar uma família numerosa e bem-sucedida. O sistema é bem matriarcal, a mulher cuida da criação das cabras e do gado, constrói as casas, faz um lindo artesanato, educam os filhos e preparam a comida. Os homens administram o grupo e naquela manhã não estavam presentes pois era o momento deles de cuidar do gado. Tomei a liberdade e me sentei no meio delas, mostrei fotos dos meus filhos e enxerguei os olhares e atitudes de mulheres empoderadas que sabem o que fazem, e mais importante, sabem o valor do luxo do essencial, do simples necessário que permite seguir e ir além. A base de tudo, onde a terra, a família e o presente têm mais força. 

Estar com a Wilderness nessa jornada na Namíbia é conhecer profundamente o melhor desse destino. São experiências tão diferentes e tão complementares, tudo faz sentido e está em harmonia.

A Namíbia mexeu comigo, provocou sentimentos e nunca mais foi embora.

A Wilderness tem a capacidade de mostrar a verdadeira diversidade da vida na Terra e tudo que está em perigo. Ela existe para mudar isso, garantindo que o mundo sempre tenha uma versão da selva indomável e imprevisível. Nasceram em 1983 e desde então implementaram o conceito de turismo de conservação que inspirou inúmeras outras empresas. A Wilderness cresce e torna-se o coletivo pioneiro na expansão do deserto icônico do mundo: um grupo de indivíduos, ajudando a conservar 2,3 milhões de hectares de terra em nosso planeta. Protegendo milhares de espécies. Elevando centenas de comunidades. Determinados a dobrar nosso impacto. Sim, chegar em 5 milhões de hectares em áreas preservadas. Porque não é apenas sobre a reputação como um dos primeiros, ou o maior, neste espaço que os torna Wilderness. É sobre o impulso determinado a continuar e seguir! E assim continuar protegendo, explorando e expandindo os lugares indomáveis da Terra, possibilitando viajantes do mundo todo a descobrir o pulsar, imergir em cada ambiente fascinante. Criando encontros íntimos entre eles, a natureza e a cultura. 

É por causa disso que podemos dizer, We are Wilderness!

 

Escape Magazine
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