A rota direta entre Brasil e Santiago do Chile é famosa entre nós, brasileiros, pela neve e pelas estações de esqui. Mas uma outra Santiago, solar e sofisticada, se apresenta quando os termômetros ultrapassam os 30 graus e a Cordilheira dos Andes quase abandona o branco para assumir tons lilases e dourados.
É nessa versão menos óbvia da capital chilena, entre brindes, mirantes e vinhedos em colheita, que mergulharemos agora.
A cidade vista do alto




Nosso ponto de partida foi o Sky Costanera, o mirante mais alto da América do Sul. Desde seus 62 andares e 300 metros de altura, vimos a cidade e tivemos dimensão de sua geografia dividida entre bairros mais culturais como Lastarria e outros, mais históricos, como Los Dominicos.
A cidade é marcada por morros entre avenidas, os “cerros islas” como o famoso Cerro San Cristóbal, com teleférico e o Santa Lucía, coroado pelo castelo Hidalgo. O sol se despede, mas a cidade não dorme. Estamos em uma região moderna, com prédios espelhados e uma vida noturna que apenas começa.
Design, coquetelaria e lifestyle urbano




A hospedagem no AC Hotel Santiago prolonga essa atmosfera. Integrado ao complexo Costanera Center, o hotel oferece acesso privilegiado ao mirante e um dos rooftops mais disputados da cidade: o LUNA Bar. Ali, a carta de coquetéis autorais inspirados nos signos do zodíaco adiciona um toque lúdico à experiência, como o drink do signo de áries, que combina gin, maracujá e cardamomo em uma mistura cítrica e aromática.
No elegante bairro de Las Condes, visitamos também o terraço do W Santiago, que convida a brindar com espumantes à beira da raia de piscina. O hotel, vibrante como o W São Paulo, guarda ainda um dos segredos gastronômicos mais interessantes da cidade: o restaurante Karai.
Sob direção executiva do chef Mitsuharu “Micha” Tsumura, do celebrado Maido, o Karai é o único endereço do chef fora do Peru. A proposta Nikkei ganha sotaque chileno, incorporando ingredientes locais com precisão técnica e lúdica. Entre os destaques, a sobremesa “Mango Loco” equilibra massa de amêndoas e milho, sorbet de manga, yuzu e as tradicionais pipocas caramelizadas, chamadas de “cabritas” no Chile, criando textura e identidade latina.
Santiago, uma cidade em movimento

Explorar a cidade sob o sol forte do verão pede alternativas criativas. A Rolling Chile propõe uma maneira dinâmica de percorrer os principais pontos turísticos com patinetes elétricos. Após uma breve introdução, o tour segue por praças arborizadas, rotas por vinhedos e até trilhas pelas encostas da Cordilheira dos Andes.
No centro histórico, o bairro Paris-Londres surge como um inesperado cenário europeu. Quarteirões que antes pertenciam aos monges franciscanos, se transformaram, na década de 1920, em um enclave de arquitetura neoclássica, com passagens suspensas, luminárias importadas da França e cafés com mesas nas calçadas.
Alta gastronomia com alma costeira



O melhor restaurante para aproveitar o verão de Santiago é o Casa Las Cujas. Fresco, acolhedor e listado entre os melhores da América Latina. Inspirado em uma vila de pescadores ao norte de Valparaíso, a proposta dos irmãos Raide é receber bem, sempre com uma taça de vinho e apresentar o melhor da cozinha costeira elevada.
No menu de “cocina de playa”, o prato “Crudo del Pacífico” é um must: peixe fresco com água de tomate e tinta de espirulina. Um gole de mar a cada bocado.
Vindima: o verão nos vinhedos






Diferente do inverno, quando os vinhedos permanecem recolhidos, é no verão que a paisagem se transforma. As parreiras, verdes e carregadas, sustentam cachos doces, quase prontos para serem colhidos. É o trabalho de um ano inteiro concentrado em poucas semanas, quando produtores, enólogos e visitantes compartilham a energia única que antecede a Vindima.
No Valle de Casablanca, a vinícola Casas del Bosque integra natureza, arquitetura e gastronomia de forma orgânica. O percurso começa na Casa Mirador, projeto de Matias Zegers, onde grandes molduras enquadram o horizonte de videiras. A degustação se inicia com o Sauvignon Blanc da linha Pequeñas, fresco e mineral, e segue até a cave e a horta que abastece o restaurante Botanico. À mesa, o tomate preto “black beauty”, recém-colhido, revela intensidade e acidez, acompanhado pelo tinto ícone da casa, “La Trampa”, um blend de Syrah, Malbec e um toque de Pinot Noir, estruturado e elegante.
Já no Valle del Maipo, a experiência na Viña Santa Rita, conhecida no Brasil pela linha “120”, tem atmosfera mais clássica. A propriedade impressiona pela dimensão e pela preservação histórica. O Hotel Casa Real, instalado em um parque centenário ao lado de uma capela neogótica, surge entre jardins de inspiração europeia, lagos, esculturas e labirintos. Viajantes que recorrem o Chile do Atacama à Patagônia escolhem se hospedar ali para desacelerar antes de um longo voo para casa.


Entre uma vinícola e outra, vale a parada na La Montaña. Em uma região dominada pelo vinho, a cervejaria artesanal apresenta rótulos próprios, como a “YUTA Ahumada”, de perfil defumado e cor cobre intensa. A água utilizada na produção vem do Santuário El Ajial, área protegida que integra o projeto da marca e reforça a conexão direta entre território e produção.
A jornalista viajou a convite da LATAM Airlines e da Fedetur.





