Por Pedro Hering
Confesso: recebi o material da assessoria do Cheval Blanc Paris e algo me prendeu o olhar por mais tempo do que o habitual. E, no universo do luxo, isso já diz muito. Para a Páscoa de 2026, o chef pâtissier Maxime Frédéric propõe “La Belle Envolée”: um dirigível inteiramente esculpido em chocolate, uma pequena escultura inspirada na elegância quase esquecida das primeiras aventuras aéreas. Uma época em que voar não era banal — era espetáculo.
O objeto, à primeira vista, parece mais peça de design. Arabescos delicados, referências sutis ao Art Nouveau, ecos do espírito Art Déco que ainda paira sobre a histórica La Samaritaine. Tudo conversa com a arquitetura, com a cidade, com a memória. Mas o verdadeiro luxo, como sabemos, está no detalhe invisível. Ao abrir a peça, surgem camadas precisas: praliné de amêndoas com baunilha tostada, caramelo de baunilha do Taiti, texturas que alternam entre o crocante e o macio sem esforço aparente. Técnica sem exibicionismo — o que, convenhamos, é raríssimo.
Produzido em edição limitada, chega quase como um segredo bem guardado: disponível para retirada no próprio hotel entre os dias 2 e 5 de abril. Um gesto que reforça a exclusividade e transforma a experiência em algo ainda mais pessoal. A edição é limitada e o preço €138. No fim, “La Belle Envolée” não é apenas uma criação de Páscoa. É quase um pequeno manifesto: o de que ainda há espaço para sonho, desde que ele venha bem executado — como só Paris sabe fazer.





