Viajar para a Amazônia nunca foi, para Anny Meisler, apenas sobre chegar a um destino. Empresária à frente de um ecossistema criativo ligado ao design e à arquitetura, ela escolheu a floresta como cenário de uma experiência construída com tempo, intenção e afeto. Foram sete dias ao todo, dois em Manaus e cinco imersa na selva, ao lado do marido, dos três filhos e dos pais. Uma viagem pensada como vivência em família e exercício de presença.
“Era importante começar pela cidade, entender suas camadas, suas contradições, antes de mergulhar na floresta com outro nível de consciência”, conta Anny. Manaus funcionou como um prólogo essencial. Entre visitas a uma comunidade indígena, o encontro das águas, a observação dos botos, a feira ao ar livre descrita por ela como um espetáculo sensorial e o impactante Teatro Amazonas, símbolo máximo do ciclo da borracha, a cidade revelou histórias que ajudaram a contextualizar tudo o que viria depois.
A curadoria da viagem ficou a cargo da Goya Travel, responsável por costurar um roteiro sob medida para uma família multigeracional. “Tínhamos três crianças de idades diferentes, adultos que buscavam experiências reais e não cenográficas, e ainda o sonho do meu pai de conhecer a Amazônia. A logística precisava ser impecável, mas sem perder profundidade”, explica.

Em Manaus, a hospedagem foi no Villa Amazônia, hotel boutique instalado em um casarão tombado de 1907. Para Anny, que trabalha com curadoria de ambientes, a experiência foi quase uma aula prática. Arquitetura histórica, design brasileiro contemporâneo e objetos carregados de memória convivem em harmonia. “Tem até móveis que eram da avó do proprietário, claro que eu perguntei”, diz.
Na floresta, o grupo se hospedou no Anavilhanas Jungle Lodge, onde a arquitetura se integra de forma respeitosa à mata. Os móveis são pensados para o contexto amazônico e o detalhe que mais encantou Anny foi o banheiro totalmente integrado à floresta. “Tomar banho olhando para a mata muda completamente a relação com o espaço”, afirma.


Entre todas as experiências, duas se tornaram especialmente marcantes. A primeira foi conhecer de perto o trabalho do ICMBio, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. “São servidores públicos que dedicam a vida à preservação da floresta, muitas vezes em condições extremamente difíceis. Para mim, são heróis invisíveis. Mostrar isso para os meus filhos era essencial”, reflete.
A segunda foi visitar uma pequena marcenaria local. Com 17 anos de atuação no mercado de móveis e design, Anny diz que seu olhar profissional nunca se desliga completamente. “Treinar o olhar não depende de onde você está. Entender como a madeira é trabalhada ali, os desafios logísticos, os processos, tudo isso me fascina.”
Mas talvez o momento mais transformador da viagem tenha sido o mais silencioso. Levar o pai para realizar o sonho de conhecer a Amazônia. “Ele tem uma escuta ativa rara. Conversava com guias, indígenas, pessoas nas feiras, sempre com interesse genuíno. Ver meus filhos observando isso foi uma aula que nenhuma escola oferece”, conta. Três gerações descobrindo o Brasil juntas.


Ao compartilhar a experiência nas redes sociais, Anny percebeu um efeito inesperado. Foi procurada por mulheres empreendedoras interessadas em entender como organizar uma viagem como essa com a família. “Existe uma demanda enorme por turismo de experiência sofisticado no Brasil, especialmente para mulheres que lideram negócios, têm pouco tempo e querem viajar com propósito, sem abrir mão de estar com os filhos”, diz.
A Amazônia, para ela, revelou não apenas a potência do território, mas também um desejo novo de falar mais sobre esse tipo de viagem. “O Brasil tem uma oferta incrível de experiências profundas e bem estruturadas que muita gente ainda não conhece. E eu amei viver isso em família.”




