A pedra como arte, arquitetura e design

Vivian Coser na Marmomac 2026

A Marmomac Brazil retorna ao Distrito Anhembi em um momento de consolidação técnica e reposicionamento estratégico do setor de rochas naturais no Brasil. O país figura entre os maiores produtores e exportadores mundiais de quartzitos, mármores e granitos, com destaque para o polo capixaba, que concentra infraestrutura de extração, beneficiamento e logística de alcance internacional. Nos últimos anos, a incorporação de tecnologia de usinagem de alta precisão e a ampliação da capacidade industrial alteraram a escala e a complexidade do setor, aproximando-o de uma lógica de produto final e de desempenho mensurável.

Nesse contexto, a atuação de Vivian Coser se insere como articulação entre indústria, arquitetura e design. Há 22 anos, após retornar de Milão, a arquiteta passou a desenvolver pesquisa aplicada junto à cadeia produtiva brasileira, investigando sistemas de encaixe estrutural, tolerâncias de usinagem, distribuição de carga e linguagem formal da pedra. O foco desloca a rocha da condição de matéria ornamental para a de componente construtivo, capaz de integrar solução espacial, estrutura e mobiliário. O reconhecimento concedido este ano pela Associação Brasileira de Rochas Naturais, Centro Rochas, com apoio do Sindi Rochas e do Simagran, formaliza uma trajetória dedicada à valorização da pedra brasileira como ativo industrial e cultural. Trata-se menos de premiar objetos isolados e mais de reconhecer uma atuação continuada na construção de repertório técnico e projetual para o setor.

Na edição de 2026 da Marmomac Brazil, Coser assina dois estandes centrais da feira, Antolini e Pedra do Frade, ambos vinculados ao polo produtivo do Espírito Santo. Fundada na Itália na década de 1950 e com operação consolidada no Brasil, a Antolini atua na seleção, beneficiamento e comercialização internacional de rochas naturais de alto padrão. No espaço concebido por Coser, a pedra é apresentada como elemento estrutural. Estantes organizam o lounge e definem o ambiente de recepção, evidenciando capacidade de carga, estabilidade e precisão de encaixe. O projeto incorpora ainda peças desenvolvidas com a Sette 7 e a Tora Brasil, combinando madeira maciça e rocha em soluções que demandam controle rigoroso de usinagem e acoplamento.

No estande da Pedra do Frade, empresa fundada em 1996 e referência na produção e exportação de rochas ornamentais brasileiras, o destaque é a linha de mobiliário Axis. O sistema parte de uma geometria em cruz que permite sustentação por contraposição de peso e encaixe estrutural. O desenho resulta de estudo sobre compressão, distribuição de cargas e resistência do material, explorando propriedades físicas frequentemente restritas ao campo da construção pesada e raramente aplicadas ao design. Segundo Coser, a apresentação da pedra natural em feiras setoriais precisa incorporar demonstração de desempenho, solução estrutural e aplicação real. A exposição do bloco ou da chapa já não sintetiza a complexidade tecnológica envolvida na cadeia produtiva atual.

A edição de 2026 também consolida o Art In Stone Project, iniciativa dirigida por Coser com curadoria de Kátia D’Avillez. A plataforma articula artistas e indústria de beneficiamento em regime de colaboração técnica, aproximando produção autoral e infraestrutura industrial. Nesta edição, Paulo Climachauska apresenta esculturas esféricas em mármore dolomítico Lunar, extraído pela Pedra do Frade. O material possui baixa permeabilidade e alta densidade, características que permitem precisão de corte e estabilidade volumétrica. As esferas dialogam com a lógica matemática recorrente no trabalho do artista, baseada em subtração e divisão modular, mas dependem diretamente da capacidade industrial de beneficiamento para atingir escala, peso e precisão compatíveis com sua proposição formal.

Kátia D’Avillez observa que a viabilidade técnica condiciona a própria forma da obra. Escala e precisão deixam de ser apenas decisões artísticas e passam a operar em parâmetros de engenharia. A aproximação entre tecnologia de beneficiamento e produção autoral sinaliza um movimento mais amplo do setor brasileiro de rochas naturais. De acordo com o setor, o volume exportado continua relevante, mas ganha centralidade a especificidade mineral, o domínio técnico e a capacidade de integrar projeto, indústria e identidade geológica.

Agenda
No dia 24 de fevereiro, data de abertura da feira, das 10h -12h ocorre a apresentação do Art In Stone Project com Vivian Coser, Kátia D’Avillez e Paulo Climachauska. Às 15h, Coser conduz a visita guiada Ciclo da Matéria, percorrendo os dois estandes para discutir processos produtivos, tecnologias de usinagem e perspectivas para o setor.

A Marmomac Brazil 2026 acontece de 24 a 26 de fevereiro, das 10h às 19h, no Distrito Anhembi, com credenciamento gratuito pelo site oficial (marmomacbrazil.com.br)
@viviancoserarquitetos
@studiosette7

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